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Educação

Tudo sobre a educação em Portugal

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26
Ago11

Muitos alunos não conseguiram lugar na escola que queriam

adm

Fuga de alunos do ensino privado para o público aumentou a procura de vagas nos estabelecimentos com melhores classificações nos rankings.

 

O fenómeno é simples: tomada a decisão de poupar despesas e abdicar do ensino privado, os encarregados de educação procuraram sobretudo as escolas públicas nos lugares cimeiros do ranking publicado todos os anos pelo Ministério da Educação. O resultado também é fácil de perceber: algumas destas escolas sentiram um aumento da procura de alunos e foram este ano obrigadas a encaminhar mais processos de matrículas para as escolas de segunda escolha. 

A elevada procura das escolas que estão melhor posicionadas no ranking é algo que acontece todos os anos. Porém, este ano, a crise terá levado para a tradicional "corrida" a estas vagas os muitos alunos que entretanto desistiram de frequentar um estabelecimento de ensino privado. Independentemente dos locais de residência ou de outros critérios, o primeiro lugar da lista de cinco escolas públicas que os alunos têm de apresentar coincidiu sobretudo com as que têm melhores resultados no ranking.

"Todos os anos é assim: os pais procuram as escolas que tiveram melhores classificações. Mas este ano a procura foi maior com o aumento de alunos que vieram do ensino privado. Os pais foram também à procura destas escolas com o mesmo princípio que os levou antes a escolher a escola privada da sua preferência. Queriam o melhor", constata Albino Almeida, da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). 

Porém, frisa, há critérios de matrícula para cumprir e que vão desde a área de residência do encarregado de educação até à proximidade do local de trabalho, passando pela "prioridade" dada a quem tem um irmão a frequentar o mesmo estabelecimento de ensino. Uma malha pouco apertada, segundo Albino Almeida, que deixa alguma margem de manobra aos pais que tentam contornar estes critérios, nomeadamente através do recurso mais usado de designar outro encarregado de educação que cumpra o critério da área de residência. 

Assegurando que não existem queixas de pais que não viram os seus filhos colocados nas escolas que tinham elegido como primeira escolha, Albino Almeida desdramatiza este fenómeno. "Está quase toda a gente colocada, ainda que não tenham ficado nas escolas que tinham como primeira escolha. A maioria ficou na segunda escolha", refere, lembrando que "a Confap sempre foi contra a demagogia da liberdade de escolha das escolas pelos pais". "Se assim fosse, teríamos escolas acima da sua capacidade máxima, com horários que seriam prejudiciais aos alunos e, se calhar, teríamos de acabar por fazer provas de selecção nas escolas públicas", critica. 

Directores pressionados

Albino Almeida desdramatiza também eventuais pressões dos pais junto das direcções das escolas, bem como o alerta lançado a semana passada por responsáveis do Conselho de Escolas para situações "problemáticas" de alunos sem colocação sentidas sobretudo na região de Lisboa. "Os pais não fazem pressão que assuste os directores de escola. O que preocupou alguns directores foi não ter lugar nem forma de encaixar algumas matrículas de filhos ou amigos de colegas, médicos ou advogados", denuncia o responsável da Confap, referindo-se às "eventuais cunhas" que podem surgir nestas situações. Ainda assim, Albino Almeida concede que "este ano houve mais movimentação, sobretudo causada pela transferência de alunos do privado para o público".

Rosário Queiroz, do Conselho Executivo da Escola Secundária Clara de Resende, no Porto, confirma. "Esta escola é muito procurada todos os anos mas, de facto, teremos tido este ano um aumento do número de processos de alunos que vinham do privado", refere a responsável do estabelecimento de ensino, que surge na terceira posição do ranking nacional ao nível das escolas públicas. Rosário Queiroz acrescenta ainda que não há registo de nenhum aluno que tenha ficado sem colocação, mas nota que este ano houve mais matrículas encaminhadas para a escola de segunda escolha: "Todos os dias dizemos não". 

fonte:http://www.publico.pt/

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