Licenciatura ainda garante mais 40% de remuneração

Com o desemprego em Portugal a atingir os piores valores de sempre e com previsões de que em 2013 ainda será pior - com 16,9% de desempregados, segundo números do novo Orçamento - , os jovens portugueses são os que mais sentem a queda da economia. Mas segundo um estudo de empregabilidade, um curso superior ainda é sinónimo de melhor emprego e maior salário.

Vítor Escária, co-autor do estudo e professor de economia no ISEG, explicou ao Dinheiro Vivo que os jovens já começam a pensar no mundo do trabalho no momento em que se candidatam ao ensino superior. "A percentagem de alunos por área de ensino tem mudado nos últimos anos e pode ver-se que há uma melhor escolha". Porém, "não podemos garantir que estar empregado significa que se está a trabalhar na área de estudos, onde mais se quer e no que mais se gosta", diz.

Os  jovens portugueses estão a apostar mais na formação, com o mestrado a seguir-se à licenciatura quase de forma natural e como complemento necessário para contornar os cursos de três anos impostos por Bolonha. E desde cedo que os estudantes são confrontados com a necessidade de gerir escolhas, opções curriculares e oportunidades de adquirir experiência. Como explica, esta escolha ainda vale a pena porque os prémios por se ser licenciado continuam a existir. "A taxa de empregabilidade e a remuneração ainda podem ser vistos como grandes recompensas", refere.

A partir de dados de 2010, os analisados no estudo, o especialista aponta que o desemprego duplicou para não licenciados, fator que não se verificou para licenciados. O canudo, diz, ainda garante mais 40% de remuneração no momento de agarrar o primeiro emprego. "A qualificação continua a ser uma proteção", diz, lembrando que a taxa de empregabilidade é 6 pontos percentuais a baixo para não licenciados.

Mas entre os cursos também existem diferenças e há os que garantem emprego, como a medicina, que só em 2012 deixou de ter pleno emprego, e aqueles em que já não vale a pena apostar, pelo menos por agora. "Artes, humanidades e línguas não estão a ter saídas", afirma o professor universitário contrapondo que nas engenharias, tecnologias e finanças a história já é outra.

Vasco Salgueiro, Manager da Michael Page Tax & Legal é da mesma opinião: a procura está na área das Finanças para cargos como Controlo de Gestão (Controlling & Reporting internacional), Gestão de Tesouraria, Controlo de Crédito e Cobranças, Controlling Comercial (controlo de gestão vs vendas) bem como na área dos imopostos e fisco onde os cargos mais pedidos são Tax Manager, Advogado especialista em Contencioso, Advogado especialista em Direito Laboral, Advogado especialista em Propriedade Intelectual / Industrial e Advogado/Consultor Direito Fiscal.

O responsável lembra ainda que é cada vez mais importante que os jovens pensem nas línguas como uma alavanca para relações externas e desenvolvimento de projectos pessoais. "Num contexto cada vez mais global temos que procurar competências que nos distingam dos demais e associar estas às nossas competências técnicas da nossa formação base", ressalta.

Já Joaquim Adegas, presidente da Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego (APESPE) sublinha que para os responsáveis de vendas e comerciais há sempre emprego "por piores que sejam a desenvolver o seu trabalho" e realça a importância crescente que os call centers têm obtido nos últimos anos. Ainda assim lembra que "o pouco investimento que existia já não existe" e lembra que "têm de ser criadas novas áreas como os parques energéticos, por exemplo, para que haja investimento e retorno". "Sem crescimento, não haverá emprego", conclui.

 

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 23:11 | comentar | favorito