Conselho de Escolas quer que notas do 9.º ano contem já para a faculdade

Alunos com negativas a matemática e físico-química no 3.º Ciclo não devem poder inscrever-se em cursos de Ciências e Tecnologias no Ensino Secundário, defende o presidente do Conselho de Escolas, Manuel Esperança.

O mesmo deve passar-se em relação às disciplinas específicas de Línguas e Humanidades, como história, na opinião do responsável por este órgão consultivo do Ministério da Educação, que começa logo no primeiro período do ano lectivo a receber pedidos de mudança de curso na sua escola, acabando muitos em anulação de matrículas.

A situação passa-se em todas as escolas. Muitos alunos seguem a opção que os pais ou os amigos preferem e acabam por perceber que não vão conseguir obter os resultados necessários ao curso porque não possuem as bases necessárias.

«É a dança das cadeiras. Acontece até ao final do primeiro período, mas em escolas cheias, como a minha, só é possível se for troca por troca (de curso entre alunos) e se isso não acontecer começam as anulações de matrículas às disciplinas específicas», conta o director da escola secundária Gomes Ferreira, que há um ano assumiu a presidência do Conselho de Escolas.

Defende por isso a definição de critérios, a nível nacional, para o momento em que os alunos têm de escolher a área a seguir no Ensino Secundário. E deve ser logo no 3.º Ciclo que as notas devem contar para o curso.

«Não estou a dar importância só ao curso de Ciências, mesmo em Humanidades temos lá muitos jovens para fugir à matemática, mas se calhar história nem vê-la, porque não gostam daquilo, francês não gostam».

O dirigente nota que muitas vezes são os próprios pais a pressionar os filhos para seguirem um curso para o qual não têm vocação, sem olhar às dificuldades que apresentam nas disciplinas de matemática ou física, no caso de Ciências, outras vezes são os alunos que querem seguir o percurso escolar com os amigos e acabam num curso que não lhes diz nada.

«Hoje em dia, uma vez que se apostou tanto numa grande diversidade da oferta educativa, mesmo que um miúdo esteja a frequentar um curso profissional, tem acesso ao Ensino Superior», observa, para aconselhar a procura de opções que tenham a ver com os interesses dos jovens.

Os chumbos «custam dinheiro ao país», além de criarem «uma certa frustração no jovem», refere.

«Por isso é que sou a favor de se criarem critérios. Para entrar em Línguas e Humanidades, um miúdo que vem sempre chumbado a história, quando é uma disciplina forte naquele curso, não pode ir para lá», defende Manuel Esperança.

Na sua opinião, as escolas devem ter autoridade para dizer aos pais que os filhos não podem matricular-se em determinados cursos no 10.º ano, se não tiverem notas para isso no 9.º ano.

«Não posso aceitar que um jovem queira ir para um curso de Ciências e Tecnologias, que é forte em matemática e física e quando vou ver o historial dele, vem chumbado a essas disciplinas desde o 2.º Ciclo», explica, sublinhando que não pode ser deixada só nas mãos das famílias a decisão de os filhos seguirem determinado curso.

fonte:Lusa/SOL

publicado por adm às 12:28 | comentar | favorito