Escolas têm mais um dia para referenciarem professores com horário zero

O Ministério da Educação prolongou por mais 24 horas o prazo para as escolas referenciarem os professores com horário zero. O prazo terminava esta segunda-feira, mas depois de as escolas terem sido surpreendidas com a redução do número de turmas e de cursos profissionais, têm agora de refazer todo o trabalho dos últimos 15 dias. 

O director do agrupamento de escolas de Cinfães quer acreditar que a indicação que recebeu da tutela para cortar no número de turmas, não passa de “um erro” e dá o seu agrupamento como exemplo. 

“Temos homologadas 22 turmas do 1.º ciclo, quando temos previstas 32. Temos homologadas 12 turmas de pré-escolar, quando temos previstas 14. E depois temos várias turmas do 2.º e 3.º ciclo homologadas que vão ter de ser todas alteradas com a não existência de curso de educação e formação e de planos de currículos alternativos, que também não foram aprovados”, conta Manuel Pereira. 

O também presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares acusa o Ministério de Nuno Crato de não estar a respeitar o trabalho que é feito nas escolas. 
“As escolas estão em estado de choque”, diz Manuel Pereira, porque vão “ter de fazer tudo de novo”, um “trabalho que levou duas semanas a fazer”. 

Manuel Pereira explica que as escolas têm de indicar até ao fim do dia de terça-feira “o nome dos professores que vão ficar com horário zero e esse nome de professores tem que ver com o número de turmas que vamos ter, e temos que publicar as turmas até ao fim do mês”. 

Por isso, este dirigente escolar descreve uma “desesperante para quem está nas escolas”. “Estamos a preparar o próximo ano lectivo angustiados, zangados, revoltados com esta situação toda e acho que é a pior maneira de começar.” 

As escolas foram surpreendidas com as indicações do Ministério da Educação para cortar no número de turmas. Também os cursos profissionais sofreram reduções. Para José Luís Presa, presidente da Associação Nacional de Escolas Profissionais, as indicações agora dadas contrariam as metas do Ministério da Educação. 

“Pelas contas que já fizemos, no conjunto dos alunos que foram colocados nas vertentes profissionalizantes estão 40 mil alunos. Isto significa um terço dos alunos do ensino secundário, o que contraria aquilo que disse o senhor ministro no ano passado, que 50% dos alunos deveriam seguir para as carreiras qualificantes”, recorda José Luís Presa. 

No meio de tudo isto, os pais não sabem o que fazer. Jorge Ascensão, da Confederação Nacional das Associações de Pais, sublinha que esta situação deveria ter sido comunicada “há 15 dias ou três semanas que era para respeitar o trabalho do planeamento que foi feito pelos parceiros locais”. 

Pais, alunos, professores e directores de escolas foram surpreendidos com a indicação do Ministério da Educação para se cortar nas turmas e nos cursos profissionais. Agora em dois dias é preciso refazer o trabalho realizado nos últimos 15 dias. 

Contactada pela Renascença, fonte do gabinete de Nuno Crato garante que são avaliadas todas as necessidades pontuais de ajustamento, desde que devidamente bem fundamentadas. 

fonte:http://rr.sapo.pt/i

publicado por adm às 21:10 | comentar | favorito